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Algures na
imensidão da Ásia Central, a tripulação da linha aérea local rouba um
grande touro. No avião, o touro solta-se. Com medo que o avião caísse, a
tripulação lança-o borda fora. O touro cai no mar Cáspio mesmo em cima de um
pequeno barco de pesca, que se afunda.
Esta história foi-nos contada por uma rapariga grávida - a única sobrevivente -, que perdeu o marido, o irmão e o pai no acidente. Ninguém acreditava na sua história do touro que caiu do céu, mas nós adaptámo-la a um episódio do filme, e ela deixou a sua marca no estilo do todo: realismo fantástico.
Na Ásia Central de hoje, onde a tradição e a superstição colidem com o caos do mundo pós-moderno, a realidade é fantástica. Assim, no nosso filme, muitas cenas são filmadas na fronteira entre o realismo e a fantasia.
A nossa heroína, uma rapariga de aldeia, chamada Mamlakat, é seduzida por um estranho e passa o filme todo à procura do pai do seu filho, que ainda não nasceu. Este último, Khabibulla, tem um papel activo na busca da sua mãe, fazendo comentários recorrentes sobre os acontecimentos, tal como os vê.
Vemos o mundo através dos olhos de uma criança que ainda não nasceu - um
mundo cheio de excitação e comédia, mas também de tristeza. A história de Mamlakat é muito comum: pode acontecer a qualquer mulher, em qualquer país do mundo. É universal.
Mamlakat luta para encontrar a felicidade e construir um futuro para o seu filho, tal como milhares e milhares de mães abandonadas, desde os antigos gregos e índios até aos dias de hoje e mesmo no futuro, quando o homem aterrar em Júpiter e Marte.
Contámos a história de Mamlakat com humor: preferimos rir antes das lágrimas começarem a cair. E além disso, o touro que caiu do céu não pode impedir a esperanças de Mamlakat de que amanhã será um dia melhor.
Para todos nós - argumentista, realizador, cameraman, designers e compositor - este filme é um pedaço de realidade fantástica. E a todos os que perguntarem sobre o que é o nosso filme, nós diremos: é sobre o amor. Sobre o amor de uma mãe pelo seu filho, de uma mulher por um homem, de uma minhoca pela maçã, do lacrau pelo sol, do triste pelo alegre, de Mamlakat por Luna Papa.
Bakhtiar Khudojnazarov
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