«TUDO
SOBRE A MINHA MÃE é o melhor filme visto até agora na edição (do Festival
de Cannes) de 99. Foi o único que pôs a plateia aos saltos, que a fez
desfazer-se em palmas no remate de várias cenas, e que teve ovação de
proporções de grande noite operática no final.
Parte
melodrama lancinante, ao estilo mexicano, parte comédia desopilante,
TUDO SOBRE A MINHA MÃE, de resto, é o típico Almodóvar - na fotografia
berrante, nos interiores neo-barrocos de Javier Mariscal, no sexo exótico
e descontraído, no humor de cabaret gay, e nos travelings
melancólicos, de final de noite de discoteca.
Nuno
Henrique Luz, INDEPENDENTE, 21 de Maio de 1999
«Almodóvar
oferece-nos aqui talvez o seu filme mais perfeito, reunindo mais ou
menos todos os seus ingredientes habituais, a mesma galeria de energúmenos
excitados(as) - putas transexuais, pais travestis, freiras mães-adolescentes,
actrizes junkies -, mas desta vez sob o tom da ternura humana. Em pleno
coração. Síntese perfeita dos seus dois filmes anteriores, aqui reencontramos
a melancolia de A FLOR DO MEU SEGREDO, harmoniosamente associada ao
estilo movimentado das trajectórias fatais de EM CARNE VIVA. Em versão
feminina.
Para
lá da nova humanidade e bondade das suas personagens, Almodóvar agarra-nos,
devasta-nos. Primeiro fazendo-nos sentir epidermicamente a progressão
do drama, depois fazendo alternar o quente e o frio. Este filme é um
monumento ao amor maternal em novo estilo.
Vincent
Ostria, LES INROCKUPTIBLES, 19 de Maio de 1999
«Para
os leitores que apenas estão interessados em descobrir se um crítico
gostou ou não de um filme, vou direito ao assunto. TUDO SOBRE A MINHA
MÃE, de Pedro Almodóvar é uma obra-prima, um clássico instantâneo. Inclui
também a mais bonita dedicatória alguma vez encontrada no cinema: "
Para Bette Davis, Gena Rowlands, Romy Schneider... para todas as actrizes
que representaram actrizes, para todas as mulheres que representaram,
para todos os homens que representaram e se tornaram mulheres, para
todas as pessoas que querem ser mães. Para a minha mãe." Este é
o filme que nós, fãs fiéis de Almodóvar, estávamos à espera, o filme
que sabíamos que ele tinha dentro de si. Sim, a realização é a maior
promiscuidade pós-moderna de sempre. Ele desenha uma composição de retalhos
que a sua sensibilidade parece agora ter assimilado: ALL ABOUT EVE,
UM ELÉCTRICO CHAMADO DESEJO, e ainda Capote e Lorca.»
Gilbert
Adair, THE INDEPENDENT ON SUNDAY, 29 de Agosto de 1999
«Em
TUDO SOBRE A MNHA MÃE, nada morre completamente, tudo se transforma.
Os Esteban da vida de Manuela (o seu marido, depois o seu filho, depois
o seu filho adoptivo), morrem mas regressam sob outras formas e os testemunhos
passa de mão em mão - Manuela cede o seu lugar de anjo da guarda de
Huma a Agrado, e depois substitui a jovem Rosa na família, depois da
sua morte. Da mesma forma, todas as mensagem chegam, mais cedo ou mais
tarde ao seu destinatário. Huma acaba por redigir o autógrafo que o
filho de Manuela lhe pediu e que acabou por lhe custar a vida. O diário
que este jovem redigia como forma de comunicar com o seu pai ausente,
acabará por ser lhe ser entregue. Nada fica por dizer.»
Jean-Marc
Lalanne, CAHIERS DU CINÉMA, nº 535, Maio de 1999
«TUDO
SOBRE A MINH MÃE é uma síntese rica em comédia e pathos, cor
e música, cenários improváveis e excelentes desempenhos».
Edward
Porter, THE SUNDAY TIMES, 29 de Agosto de 1999