«Foi o primeiro filme a conhecer uma recepção de franco sucesso em Cannes, com uma enorme ovação na sessão de imprensa. Investindo de novo na sua particular apropriação do melodrama, Almodóvar aborda aqui a história de Manuela, uma enfermeira que vive com o filho daolescente, a quem sempre negou dizer quem era o pai. Até que o filho morre num acidente e ela, destroçada e sozinha, regressa à sua Barcelona natal para reencontrar o homem que 17 anos antes abandonara. Aí vai reencontrar um amigo de antanho, travesti, e penetrar nos dramas de várias mulheres em crise (um casal de actrizes lésbicas, uma freira que fica grávida e seropositiva), num acumular de tensões cruzadas, humor e kitsch que fazem com que este filme vá do riso ao aperto na garganta. Tudo nos tons brilhantes tão caros ao realizador, vermelhos e azuis que transformam a realidade uma transfiguração e as emoções numa magnífica parábola. Sempre com intérpretes de primeiríssima água.»

Jorge Leitão Ramos, EXPRESSO, Maio de 1999


 

«TUDO SOBRE A MINHA MÃE é o melhor filme visto até agora na edição (do Festival de Cannes) de 99. Foi o único que pôs a plateia aos saltos, que a fez desfazer-se em palmas no remate de várias cenas, e que teve ovação de proporções de grande noite operática no final.

Parte melodrama lancinante, ao estilo mexicano, parte comédia desopilante, TUDO SOBRE A MINHA MÃE, de resto, é o típico Almodóvar - na fotografia berrante, nos interiores neo-barrocos de Javier Mariscal, no sexo exótico e descontraído, no humor de cabaret gay, e nos travelings melancólicos, de final de noite de discoteca.

Nuno Henrique Luz, INDEPENDENTE, 21 de Maio de 1999

«Almodóvar oferece-nos aqui talvez o seu filme mais perfeito, reunindo mais ou menos todos os seus ingredientes habituais, a mesma galeria de energúmenos excitados(as) - putas transexuais, pais travestis, freiras mães-adolescentes, actrizes junkies -, mas desta vez sob o tom da ternura humana. Em pleno coração. Síntese perfeita dos seus dois filmes anteriores, aqui reencontramos a melancolia de A FLOR DO MEU SEGREDO, harmoniosamente associada ao estilo movimentado das trajectórias fatais de EM CARNE VIVA. Em versão feminina.

Para lá da nova humanidade e bondade das suas personagens, Almodóvar agarra-nos, devasta-nos. Primeiro fazendo-nos sentir epidermicamente a progressão do drama, depois fazendo alternar o quente e o frio. Este filme é um monumento ao amor maternal em novo estilo.

Vincent Ostria, LES INROCKUPTIBLES, 19 de Maio de 1999

«Para os leitores que apenas estão interessados em descobrir se um crítico gostou ou não de um filme, vou direito ao assunto. TUDO SOBRE A MINHA MÃE, de Pedro Almodóvar é uma obra-prima, um clássico instantâneo. Inclui também a mais bonita dedicatória alguma vez encontrada no cinema: " Para Bette Davis, Gena Rowlands, Romy Schneider... para todas as actrizes que representaram actrizes, para todas as mulheres que representaram, para todos os homens que representaram e se tornaram mulheres, para todas as pessoas que querem ser mães. Para a minha mãe." Este é o filme que nós, fãs fiéis de Almodóvar, estávamos à espera, o filme que sabíamos que ele tinha dentro de si. Sim, a realização é a maior promiscuidade pós-moderna de sempre. Ele desenha uma composição de retalhos que a sua sensibilidade parece agora ter assimilado: ALL ABOUT EVE, UM ELÉCTRICO CHAMADO DESEJO, e ainda Capote e Lorca.»

Gilbert Adair, THE INDEPENDENT ON SUNDAY, 29 de Agosto de 1999

«Em TUDO SOBRE A MNHA MÃE, nada morre completamente, tudo se transforma. Os Esteban da vida de Manuela (o seu marido, depois o seu filho, depois o seu filho adoptivo), morrem mas regressam sob outras formas e os testemunhos passa de mão em mão - Manuela cede o seu lugar de anjo da guarda de Huma a Agrado, e depois substitui a jovem Rosa na família, depois da sua morte. Da mesma forma, todas as mensagem chegam, mais cedo ou mais tarde ao seu destinatário. Huma acaba por redigir o autógrafo que o filho de Manuela lhe pediu e que acabou por lhe custar a vida. O diário que este jovem redigia como forma de comunicar com o seu pai ausente, acabará por ser lhe ser entregue. Nada fica por dizer.»

Jean-Marc Lalanne, CAHIERS DU CINÉMA, nº 535, Maio de 1999

«TUDO SOBRE A MINH MÃE é uma síntese rica em comédia e pathos, cor e música, cenários improváveis e excelentes desempenhos».

Edward Porter, THE SUNDAY TIMES, 29 de Agosto de 1999